quarta-feira, 24 de junho de 2026

 

Cantigas, cirandas, canções de ninar, músicas infantis e folclóricas permeiam o inconsciente coletivo, acompanhando o ser humano enraizadas desde o berço. Introjetadas nas mentes e absorvidas por elas antes mesmo do lapso de consciência – aquele que permite que sejamos o “homem que sabe que sabe” (Homo sapiens sapiens) - invocam nossos medos, traumas e sentimentos mais primitivos. Transmitidas de geração em geração, repetidas oralmente, nem sempre entendidas e muitas vezes narradas, recontadas e adaptadas, mantendo sua essência, mas incorporando novas nuances e interpretações, resultando numa evolução orgânica do conteúdo e forma.

Se você nasceu no Brasil dos últimos 500 anos já deve ter se perguntado: “Afinal quem é a Cuca que vêm pegar?” E esse tal de Bicho Papão que fica em cima do telhado? Será que faz parte da mesma corja do Boi da Cara Preta? Esses personagens, tão presentes nas cantigas de ninar e no folclore, fazem parte de um repertório simbólico que atravessa séculos. Criados como formas de educar, amedrontar ou simplesmente entreter crianças, eles condensam medos universais em figuras fantásticas. Transfigurando em seres feios as representações de ansiedades coletivas, traduzidas em cantigas simples e facilmente memorizáveis.

Nesse processo, a música infantil e folclórica assume um papel fundamental na construção da identidade cultural. Mais do que simples manifestações de entretenimento, elas funcionam como veículos de memória coletiva, preservando valores, tradições e modos de vida de diferentes comunidades. Ao mesmo tempo, revelam a capacidade criativa do povo em reinterpretar suas próprias narrativas, adaptando-as às mudanças históricas e sociais. Foi nesse universo de sonoridades e símbolos que compositores como Heitor Villa-Lobos encontraram inspiração para reelaborar cantigas populares em obras eruditas, evidenciando como o folclore, longe de ser estático, constitui uma fonte inesgotável de renovação artística.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Vermilion

Ainda vejo em meus pensamentos o dia em que meus braços estarão ao seu redor e meu corpo encontrará paz em seu abraço. Tudo que poderei ouvir são as batidas do seu coração.


Um misto de sentimentos contraditórios agora toma minha mente e o medo se traduz nos meus pensamentos, que, envoltos em uma camada de névoa, borram as imagens e as deixam mais distantes. 


Você é tudo e mais um pouco, tudo que eu poderia chamar de lar. Por que o destino insiste em cruzar nossos caminhos se não podemos ter um ao outro por completo?


Eu sei que você não vai esquecer disso, apenas peço que entenda o motivo pelo qual tudo isso ainda me assusta, por favor, não solte a minha mão.


Sim, eu ainda vou querer ler todas as suas cartas e ainda vou sonhar com o dia em que estarei nos seus braços.




"She is everything and more


The solemn hypnotic


My dahlia, bathed in possession


She is home to me


I get nervous, perverse


When I see her, it's worse


But the stress is astounding


It's now or never


She's coming home (forever)


Oh (she's the only one who makes me sad)"




quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Until the end of everything

Estarei em cada gota de chuva da tempestade, também estarei em cada raio de sol e em cada riso infantil. Toda vez que o escuro tomar conta e mesmo tão longe que não seja possível sentir, ainda assim será parte de mim. 


Meu corpo agora flutua, enquanto as batidas do meu coração aos poucos ficam mais longe. O frio gela meus ossos e silenciosamente me afunda no abismo. Ainda me pergunto: por que não segurou minha mão? 


E enquanto cada pequena memória será lentamente esquecida e desmanchada pelo tempo, as amarras do destino puxarão mais forte e toda brisa respirada ainda fará parte de tudo, tão visceral quanto na primeira vez.


Lágrimas derramadas se misturam ao profundo e escuro mar da alma, que carrega tudo que foi, tudo que é e que um dia será. Apenas resta nosso universo de sonhos, mas dessa vez nada mais poderá me tocar. Só posso deixar que me veja, se for longe o suficiente, saberá.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Tudo o que amamos um dia será tirado de nós. A única certeza do amor é a perda, assim como a única certeza da vida é a morte. Amar é como sentir constante dor e agonia enquanto espera o fim.


domingo, 30 de janeiro de 2022

Day.

Você é o brilho mais intenso que meus olhos verão.

Em alguma de nossas eras existirá um dia onde tudo poderá ser bom outra vez. 

Você saberá quando me ver, eu saberei quando te encontrar. 

Tudo retornará ao seu lugar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Solidão

Eu deveria ficar em um lugar seguro, onde nada pudesse me machucar. 

É melhor se acostumar com a miséria encontrada no fundo das pessoas, por mais que no meu próprio interior algo diga que não.

Como conselho, aproveite a melancolia, ao menos ela é tranquila e lenta. Ela protege das emoções mais fortes que acabam mal. 

Pense bem, pense novamente, você sabe que o agora é passageiro, o provável futuro será pior que o seu presente. 

Tenha foco, não deixe sua mente pender para o lado de outras pessoas. Apenas pense em você uma vez, ou ninguém mais o fará. 

Outra vez, sozinho. 



domingo, 10 de outubro de 2021

Vácuo dos Sonhos

Olá eu,
Olá intruso,

O motivo de existência atual dessa página é manter pequenos textos, pensamentos, ocasionalmente palavras soltas e ideias que povoam minha mente, e que provém do fictício (ou não) lugar criado por mim ao qual costumamos, eu e todas as minhas versões temporais, nos referir como "Vácuo dos Sonhos".

Lembrar: "Apenas o inexistente inexiste".