Eu me escondi num canto escuro, a cada vez que inspiro torna-se mais difícil. Estou esvaindo, estou caindo no vazio outra vez e tudo que resta são suas doces memórias. Não tenho medo, sempre estive no escuro, me admiro em saber que um dia presenciei um feixe de luz entrando pela janela. Meus pulmões não aguentam mais. Dessa vez será a última vez. A última vez que eu tento. A última vez que eu luto contra o tempo, última vez que puxo o ar pesado pra dentro de mim.
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Sobre meu eu, para teu eu
Ah, não é fácil falar de mim, há dias que sou nada, e dias
que sou tudo o que significa ser alguém. Posso dizer que é difícil me prender,
pois sou água fria que escorre entre os dedos, eu sou o fogo que aquece de
longe e que pode machucar, sou a noite que transpassa pela janela e demora para
passar, eu sou erro, sou dor, indiferença, intensidade. Sou um quebra-cabeça
nem sempre tão fácil de montar. Não sou mais que qualquer outro, nem beiro o teu inalcançável e tenho
minhas peculiaridades, mas nem tudo em mim é tão complicado. Eu
apareci a tua porta e posso ser o toque leve que faz adormecer, ou a imensidão
do vento que bate em seu rosto e bagunça teus cabelos, posso ser o abraço
quente que te envolve e o carinho que nunca antes te rodeou. Para mim fica claro as coisas que você tem para dizer, e não são coisas ditas
por palavras mas que encontro espalhadas dentro de ti, e lentamente vão se
revelando.
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